Construções causativas
Construa habilidades em português aprendendo construções causativas: como fazer alguém realizar uma ação. Este módulo cobre regras, exemplos e uso prático.
Ideia central
Uma construção causativa expressa que alguém faz com que outra pessoa realize uma ação. O sujeito causa o evento, mas quem executa pode ser outro participante na frase. Em português, usamos verbos como "fazer" e "deixar" para construir esse significado. O foco é transmitir causa e resultado em vez de apenas quem faz fisicamente.
Fazer + infinitivo
"Fazer" + infinitivo indica que o sujeito provoca uma ação, normalmente realizada por outra pessoa. Essa estrutura é equivalente a "make" ou "have" em inglês em muitos contextos. O infinitivo vem sem preposição e pode aparecer com ou sem o agente explícito. O objeto direto costuma ser a pessoa que vai executar a ação.
Regra | Exemplo |
|---|---|
Use "fazer" + infinitivo para indicar que alguém causa uma ação. | |
O agente da ação pode ser expresso como objeto direto. | |
O agente pode ser omitido quando for claro pelo contexto. |
Deixar + infinitivo
"Deixar" + infinitivo indica permissão ou consentimento, não apenas causa. O sentido principal é permitir que alguém realize uma ação. O objeto direto é quem recebe a permissão e o infinitivo é a ação permitida. A estrutura é paralela a "let" em inglês em muitos casos.
Regra | Exemplo |
|---|---|
Use "deixar" + infinitivo para expressar permissão. | |
O objeto direto é normalmente a pessoa autorizada. | |
Com sentido de consentir, "deixar" pode soar mais natural que "fazer". |
Agente explícito
Nas causativas com "fazer" ou "deixar", o agente da ação pode aparecer como objeto direto. Nesse caso, o infinitivo concorda com o agente quando contém sujeito expresso, especialmente na fala culta. Com pronomes, é comum posicionar o pronome junto ao infinitivo ou ao verbo principal, conforme o estilo e a variedade.
Regra | Exemplo |
|---|---|
O objeto direto pode ser o agente da ação do infinitivo. | |
Com grupos nominais no plural, o infinitivo pode aparecer flexionado. | |
Com pronomes, mantenha clareza sobre quem executa a ação. |
Agente implícito
Também é possível usar causativas sem mencionar explicitamente quem executa a ação. Nesses casos, a frase foca no resultado causado pelo sujeito. Essa construção é comum com serviços, decisões administrativas e situações em que o agente é genérico ou irrelevante. O sentido permanece causativo, mesmo sem o agente na superfície.
Regra | Exemplo |
|---|---|
Omitir o agente quando ele for implícito ou irrelevante. | |
A construção é comum com serviços e consertos. | |
O foco fica no resultado alcançado pelo sujeito. |
Causativa e passiva
A causativa pode aparecer combinada com voz passiva para enfatizar o resultado, não o executor. Com "fazer", é possível usar "ser" + particípio como complemento, especialmente em registros formais. Essa combinação costuma aparecer quando o importante é o evento realizado, não quem exatamente o realizou. A escolha depende do foco informativo da frase.
Regra | Exemplo |
|---|---|
Use "fazer" + "ser" + particípio para focar no resultado. | |
A estrutura destaca o evento causado mais que o agente. | |
Em contexto formal, essa combinação é frequente em textos administrativos. |
Causativa com "mandar"
"Mandar" + infinitivo também pode expressar causa, mas com sentido de ordem ou instrução. O sujeito costuma ter autoridade sobre o agente, e a frase transmite comando, não apenas permissão ou provocação. O objeto direto é o executante, como nas outras causativas. O uso de "mandar" pode soar mais forte ou diretivo.
Regra | Exemplo |
|---|---|
Use "mandar" + infinitivo para expressar ordem ou determinação. | |
O sentido é de comando, não só de permitir. | |
O agente pode ser omitido se for entendido pelo contexto. |
Tempo e causativa
O verbo "fazer", "deixar" ou "mandar" se flexiona normalmente no tempo verbal da frase. O infinitivo mantém sua forma e expressa a ação causada. Para sequências claras, o tempo do verbo principal localiza o evento de causação e o contexto indica a ordem ou simultaneidade das ações. A concordância temporal depende do que a frase pretende narrar.
Regra | Exemplo |
|---|---|
Flexione o verbo causativo conforme o tempo desejado. | |
O infinitivo permanece inalterado como núcleo da ação causada. | |
O contexto determina se as ações são simultâneas ou sucessivas. |
Registro e escolha
A escolha entre "fazer", "deixar" e "mandar" depende do sentido: causar, permitir ou ordenar. "Fazer" é neutro para causação, "deixar" foca em permissão e "mandar" em comando. Em português brasileiro, "deixar" é muito produtivo para permissões cotidianas. Em contextos formais, é comum preferir estruturas com "fazer" e, se necessário, combinar com passiva.
Regra | Exemplo |
|---|---|
Use "fazer" para causar um resultado sem foco em permissão. | |
Use "deixar" para indicar que alguém permitiu uma ação. | |
Use "mandar" para transmitir ordem ou instrução. |
Variedade regional
O núcleo da causativa é estável, mas há preferências regionais de vocabulário e formalidade. No português brasileiro, "deixar" é muito frequente com sentido de permissão no cotidiano. Em alguns contextos, especialmente em Portugal, podem aparecer construções com "ter" a + infinitivo para obrigação, que não é exatamente causativa. O módulo foca nas causativas centrais compartilhadas.
Região | Word/Phrase | Emoji | Regional Definition | Example |
|---|---|---|---|
🇧🇷BRASIL | Use para permissões cotidianas como "let". | ||
🇵🇹PORTUGAL | Use para obrigação, não como causativa típica. |