Pretérito mais-que-perfeito
Módulo de Português sobre o Pretérito Mais-Que-Perfeito. Aprenda a usar esse tempo verbal para falar de ações passadas anteriores a outras no passado em português.
Valor temporal
O pretérito mais-que-perfeito indica uma ação passada que já estava concluída antes de outra ação também passada. Ele expressa anterioridade em relação a um ponto do passado, não em relação ao presente. É comum em narrativas para organizar eventos em ordem temporal. O foco do tempo é a ideia de "já ter terminado" antes de outro fato passado.
| Regra |
|---|
Formação simples
A forma simples é construída a partir do radical do verbo com terminações específicas. Nos verbos regulares, usa-se -ra, -ras, -ra, -ramos, -reis, -ram. A forma simples aparece mais em registros formais, escrita literária e linguagem cuidada. Em português brasileiro atual, aparece especialmente na terceira pessoa em textos narrativos.
| Sujeito | Forma |
|---|---|
| eu | |
| tu | |
| ele/ela/você | |
| nós | |
| vós | |
| eles/elas/vocês |
Verbos regulares
Nos verbos regulares, o mais-que-perfeito mantém o radical do pretérito perfeito e adiciona as terminações da forma simples. Em -ar, a base é "fal-"; em -er, a base é "com-"; em -ir, a base é "part-". A acentuação gráfica diferencia formas como "faláramos" e "falara".
| Sujeito | Forma |
|---|---|
| eu | |
| ele/ela | |
| nós | |
| eu | |
| ele/ela | |
| nós |
Formação composta
A forma composta usa o pretérito imperfeito do verbo "ter" ou "haver" mais o particípio do verbo principal. "Tinha" e "havia" + particípio equivalem, em sentido, ao mais-que-perfeito simples. A forma composta é a opção preferida na fala e na escrita informal do português brasileiro. Ela também aparece com frequência em textos jornalísticos e didáticos.
| Regra |
|---|
Particípios comuns
A forma composta depende do particípio correto do verbo principal. Verbos regulares formam o particípio com -ado e -ido. Alguns verbos irregulares têm particípios próprios que precisam ser memorizados. O particípio pode concordar em gênero e número quando usado como adjetivo, mas na forma verbal composta fica invariável.
| Palavra/Expressão | Definição |
|---|---|
| feito | |
| dito | |
| escrito | |
| visto | |
| posto |
Uso em narrativas
O mais-que-perfeito aparece para marcar que um fato já estava concluído quando outro fato passado ocorreu. Em narrativas, ele costuma aparecer junto com o pretérito perfeito ou o pretérito imperfeito para criar uma linha do tempo. Frequentemente, introduz a causa, o contexto ou o resultado prévio de uma situação narrada. Sua função é organizar a sequência dos eventos com precisão temporal.
| Regra |
|---|
Variação e registro
A forma simples é mais frequente no português escrito formal e em literatura. A forma composta é dominante na fala e em contextos informais, especialmente no Brasil. Em Portugal, a forma simples aparece mais na escrita do que na fala cotidiana. A escolha entre as formas é uma questão de adequação ao contexto e ao nível de formalidade.
| Região | Palavra/Expressão | Definição regional |
|---|---|---|
| 🇧🇷Brasil | tinha + particípio | |
| 🇵🇹Portugal | forma simples |
Resumo
O pretérito mais-que-perfeito expressa uma ação passada anterior a outra ação passada. Pode aparecer na forma simples ("falara") ou na forma composta ("tinha falado"), com preferência prática pela composta no português brasileiro. Sua função principal é marcar anterioridade em relação a um ponto do passado. O domínio do tempo depende de reconhecer quando a narrativa exige esse sentido de conclusão prévia.